Sunday, February 27, 2005

Radiohead

Penso que esta é uma boa altura para dedicar um post à minha banda preferida. E porquê esta altura? Porque esta semana está a ser agitada pela loucura da procura por bilhetes para o concerto de U2 no próximo mês de Agosto. Eu também estive nas filas. Não cheguei lá muito cedo e como tal não consegui bilhetes. Nunca pensei ver aquilo que vi. Foi o caos. Não interessa falar muito mais sobre isso. Interessa sim referir que durante as três horas que passei na fila, muitas foram as vezes em que dei comigo a pensar: "Cada vez gosto mais de Radiohead."

Gosto de Radiohead desde 1994 e comprei o meu primeiro albúm em 1995. Tinha 15 anos. Ou seja, esta banda tem acompanhado o meu crescimento e tem-me, naturalmente, ajudado a crescer. Este é o meu pequeno tributo a Radiohead e o porquê de serem a minha maior referência musical. Isto em termos de bandas, claro, porque musicalmente falando, o distinto Jeff Buckley segue lado a lado com este quinteto de Oxford. Mas voltando à banda de Thom Yorke, estas são as minhas (pequenas) razões...

- As muitas pérolas que já compuseram, onde destaco o Paranoid Android, Let Dowm, Fake Plastic Trees, Big Ideas, Everything in it's Right Place, Idioteque e o mais recente 2+2=5.

- Os telediscos fabulosos, nomeadamente, o Paranoid Android, Street Spirit, Just e There There.

- A maneira como se vão reinventando a cada albúm que passa, que teve o seu culminar na passagem do aclamadíssimo Ok Computer para o experimentalismo dos "gémeos" Kid A e Amnesiac.

- O facto de a cada nova audição conseguir ainda descobrir novos elementos sonoros, especialmente no Kid A e no Ok Computer.

- Têm, a meu ver, o melhor produtor do mercado discográfico. Trata-se de Nigel Godrich (na foto), que trabalha com a banda desde Ok Computer.

- A qualidade incrível que apresentam ao vivo com actuações desconcertantes marcadas pelas loucas danças do Sr. Yorke em Sit Down, Stand Up ou Idioteque.

- O abstracto da maior parte das letras das canções, onde destaco o Idioteque, aliciado a mensagens subliminares (We Suck Young Blood) e críticas directas como todo o conceito do último albúm Hail to the Thief, numa clara alusão a George Bush.

- Todos as sensações que a voz de Thom me transmite, desde a calma (Street Spirit) à loucura (Electioneering), passando pela magia (Fake Plastic Trees), nostalgia (Exit Music) e alegria (o final do Let Down).

- Os solos de guitarra do Jonny Greenwood e os sons que dela consegue extrair. Creio que o maior exemplo disto mesmo é o Paranoid Android.

- A simplicidade, qualidade e mestria da bateria do Phil, especialmente na notável Pyramid Song.

- A capacidade de construção de simples linhas de baixo irresistíveis que marcam as canções de início ao fim, como National Anthem e Where I End and You Begin.

- A contribuição sóbria de Ed tanto em pequenos pormenores de guitarra (Exit Music e Airbag), como nas segundas vozes ao vivo em Karma Police.

Por todas estas razões e mais algumas, enquanto estes senhores continuarem a fazer música, eu vou ser uma pessoa mais rica em todos os aspectos.

2 comments:

Alcandura said...
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Alcandura said...

Sinceramente penso que os Radiohead estão cada vez mais longe da realidade quotidiana dos nossos dias. Os seus discos serão melhor apreciados daqui a 20 anos, certamente.

Quando os vi ao vivo, sai destroçado porque senti que não tocaram para nós e sim para um público que está conceptualmente dentro das suas cabeças e que ainda não nasceu.

Quanto ao artigo, é sempre bom ler coisas bem escritas e de qualidade. Acho que devias escrever para um jornal ou para uma revista. Mereces ser lido.

Ps. Faltaram-me estes na lista com o ok computer ("passei-me" com esse disco, na altura!)