Wednesday, February 16, 2005

O Acordo Secreto

Sempre que hoje em dia ouço esta expressão desato a rir. Acordo Secreto. E onde está a graça? Penso que só a compreenderão na sua plenitude se tiveram a oportunidade, como eu, de visionar pela RTP o debate político de ontem. O mesmo debate em que os principais políticos da nossa nação procuravam expressar as razões da sua candidatura, ou seja, porque é que devemos votar neles.

Confesso que senti muita pena do Sr. Jerónimo de Sousa. O homem estava mesmo afónico e não conseguiu falar mais do que uns poucos minutos. Depois temos o Sr. Francisco Louçã, ou como diz o líder do PP, "o Sr. que tem a mania que é superior aos outros". E porquê esta tirada infantil? Na minha opinião, só pode ter a ver com as suas recentes influências. E estas influências centram-se num homem que usa uma pulseira (qual pulseira dos desejos do Bonfim, qual quê) na mão direita. O homem que acredita na teoria da conspiração. Cá está ele. O homem do acordo secreto. Então não é que o Sr. Santana Lopes passou grande parte do debate a acusar o PS e o Bloco de Esquerda de terem um acordo secreto???

Mas a infantilidade não passa só pela quantidade de vezes em que o homem forte do PSD insinuou que esta aliança de facto existia. Passa também por interromper o discurso do Sr. Louçã na altura em que este concordava com uma (e penso que foi só mesmo uma...) das ideias do PS e dizer: "E depois ainda diz que não tem uma aliança secreta!" Mas o que é isto? Que idade tem esta laranjinha, afinal? O homem que não consegue articular uma ideia ou rebater uma crítica sem receber do lado um papelinho ou no caso deste último debate, sem fazer um telefonema! É pena é que não tenha aproveitado o tal telefonema para questionar a verdadeira razão sobre a qual era criticado pelo líder do Bloco de Esquerda, a respeito da recente fusão do Banco Santander.

Francisco Louçã e até o Sr. Sócrates só pretendiam saber o porquê da isenção de IRS dessa mesma fusão mas ele só sabia dizer que tal estava previsto e que nem sequer estava no Governo quando essa isenção foi decidida. Mas todos nós sabemos que ele lá estava. E porquê? Porque foi em Agosto. E os argumentos do Sr. Lopes? "Em Agosto? Mas o pedido foi feito em Julho!" Mas esperem lá, afinal o que é que interessa aqui? É a data do pedido ou a data da decisão e sobretudo a pessoa que autorizou esse despacho? Só posso concluir que o Sr. da pulseira deve ter ficado sem bateria ao intervalo e o telefonema não deve ter dado para mais...

Com isto tudo, acabei por não falar do Sr. Louçã. Admito que já tinha decidido o meu voto antes do debate. Aquela hora e meia apenas veio reforçar a minha ideia. Sim, eu sei que o homem tem umas ideias um pouco "agressivas" mas a meu ver é necessário pessoas que pensem de maneira diferente, pessoas que abanem as estruturas, pessoas que se insurjam contra o estado actual das coisas, pessoas que tenham ideias concretas e como tal é extremamente importante que o seu número no parlamento cresça e como tal, merecem o meu respeito e mais importante de tudo, o meu apoio.

Deixo o Sr. José Sócrates para o fim. Não me perguntem porquê. Simplesmente calhou. Confesso que este homem não me inspira grande confiança mas ao menos sabe defender as suas ideias. É um homem correcto, coerente e ambicioso. Até me via a votar nele só para o Sr. do Acordo Secreto não vencer as próximas eleições. Felizmente tal não vai ser necessário porque o PS vai de facto vencer. Agora só falta saber se terá maioria absoluta. Não acredito. Mas teremos que esperar até Domingo. E está tudo dito.

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