Ontem fui ver o novo documentário do Michael Moore. Creio que todos o deveriam de ver. Mais uma vez a fragilidade do sistema norte-americano (agora no universo da saúde) que é mais uma vez levado ao ridículo apenas porque é a mais pura das verdades.
E por falar em fragilidade, antes fui ver Control de Anton Corbin. A história do mítico Ian Curtis. Não tinha noção da vida dele. Amei o filme. Não tinha noção das semelhanças à história de Kurt Cobain e só espero que o realizador da biografia dele (que se aproxima) possa também ser o mesmo. A vantagem de ser um fotógrafo excepcional.
Quanto a Curtis, uma figura triste, frágil, misteriosa. Demasiado pura para a realidade e contexto da indústria discográfica. Fica o seu excelente legado musical e a força das suas palavras. E quanto a esse legado, é incrível a quantidade de bandas nos dias de hoje a soar a Joy Division...
Monday, November 19, 2007
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2 comments:
...Desde que vi o filme que ando "assombrada" pelo Ian Curtis. Não consigo abstrair-me...não tinha noção da sua fragilidade,sendo que creio que a mesma aliada à doença (que infelizmente conheço de perto) e à juventude se tornaram numa soma mortal...Tenho feito um real esforço para me abstraiar...
A fotografia estava fantástica, mas outra coisa também não seria de esperar...igualmente fantástico é poder ver um filme destes ao lado de dois homens que tanto amo...um que tudo me mostrou (incluindo Joy Division) e outro com quem tudo partilho....Obrigada a ambos...
Baba, baba...vejo, até perder de vista, um oceano de baba... :)
E sobre o filme, completando, se possível, este oportuno e excelente post:
Admito que só conheci os Joy Division já os New Order estavam no terceiro disco (low life-1983).
Reconheço também que pensava o Ian Curtis de um modo mais forte/frio, mais robusto e até mesmo, de algum modo, "zangado/indignado" com tudo e com todos. Considerei o seu suicídio como isso mesmo, uma atitude de revolta e indignação e, acima de tudo, de controlo sobre o seu próprio destino. Um acto heróico, portanto.
O último disco de originais dos Joy Division (Closer), sempre foi impenetrável, para mim, pela sua enorme crueza.
O que vi no filme foi exactamente o contrário. Vi um ser humano frágil que insistia numa vida "normal", ao mesmo tempo que paralelamente, vivia uma outra vida, mais intensa e talvez por isso, na sua cabeça, completamente errada.
Por um lado,estava "irremediavelmente" unido à sua mulher, à sua família. E por outro, partilhava os momentos "barulhentos" e "silenciosos" com a sua amante e companheira, no extremo oposto desta realidade.
Percebi também que ele não foi muito diferente de muitos de nós. Isto é, nem sempre decidiu o seu caminho e quase sempre se deixou levar pelos acontecimentos e pelas decisões dos outros. Quando decidia, insistia naquilo que era "normal", naquilo que tinha de ser porque tinha de ser...Naquilo que os outros esperavam dele.
A sua escrita levou-o para outros momentos e locais onde, mais uma vez, deixou que tudo acontecesse sem decidir, de facto, nada.
O filme fala do controlo; da falta dele. Da falta de controlo em equilibrar estas duas realidades dentro de uma cabeça que deixou, em determinada altura, de conseguir também controlar o seu próprio corpo.
Aquela conversa após um concerto que resultou num motim, é reveladora. Ele não podia continuar. Ele não estava ser um bom pai para a sua filha. Se o fosse, não estava ali, a fazer aquilo. Na sua cabeça, tudo aquilo estava errado. Ele só queria ser uma pessoa “normal”, ser uma pessoa “feliz”.
Quando a sua mulher o confrontou com a traição, Ian perguntou-lhe o que isso tinha a ver com eles! O mais fácil teria sido continuar a viver estas duas vidas, sem grandes questões e constrangimentos, sem pensar muito, deixar as decisões, se possivel, para mais tarde…
Ian Curtis morreu na casa da sua família, horas depois de ter sido recusado pela sua mulher e após um ataque de epilepsia. Morreu na cozinha, com a "corda da roupa", sem qualquer glória, misticismo ou revolta. Tomou a decisão de não ter de decidir mais nada na sua vida.
Caminhou sozinho, em silencio, para longe da lógica das emoções.
Por ultimo, reforço que isso não teve nada a ver com a indústria discográfica até porque os joy division estavam linkados à factory records que não detinha quaisquer direitos sobre as suas bandas. Podiam sair quando quisessem.
Admito que neste momento, depois de ver este filme de Anton Corbin, pela segunda vez (filme brilhante, este!), quando ouço o "Closer", consigo penetrar na densidade das suas letras e sentir o afecto das suas emoções. Tudo agora faz mais sentido e está mais perto...27 anos depois...
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